28/05/2011

Caminho de trevas

Os sinos não param..
flores e velas nas ruas,
sepulturas serão decoradas com elas,
desbotadas em alguns dias de chuva, como os corpos prostrados.
Como é triste a morte
quase tanto como a vida,
mas, afinal, existe memória...
o velho sabe o poder do tempo
de uma vida ligada à morte,
as crianças brincam a ser adultos,
adultos que desejam regressar à sua infância.

A vida acaba entre sombras
ao som do cheiro a sangue,
alimentando a Senhora morte,  

exterminado a vida eterna,
a luz,
 

as trevas,
a raça humana...
Mostraste ao mundo como saber viver,
agora gritas ao vento, que também sabes morrer.

2 comentários:

Francisco CÂNDIDO disse...

Seu poema é fúnebre, mas é real.Temos uma afobia a morte, como se ela fosse o fim em si mesma...

Sónia M. disse...

Não conhecia este teu poema...gostei muito!

Beijo
Sónia