15/09/2010

Mais cedo ou mais tarde...

Há dias que parecem inalteráveis,
aurora de relógios imóveis, 
hostis ao acaso, 
como se o tempo fosse um longo rio que ignora a voz das marés,
 e se parasse. 
São os dias que esquecem a noite escura, 
densa, 
com a vida no fundo 
de um silencioso poço,
a interminável noite do esquecimento 
e a ofensa que antecede à caricia,
a fé 
e o abandono. 
E penso sempre haver algo melhor, 
ou o parece: 
Cumes mais altas para escalar,
caminhos nunca antes recorridos, 
audazes desatinos, 
ou um novo amor,
se o velho adormeceu. 
Mas o tempo mais tarde 
ou mais cedo,
ensina-nos que cumes, 
caminhos, 
loucuras, 
e a nova amante, 
são como pinturas de um museu
impossíveis que sonhei.
 

1 comentário:

Zé de Melro disse...

Boa reflexão!